segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Perceba.

Desde o natal uma quantidade significativa de primos distantes, do nordeste do Estado, permaneceu em Belo Horizonte. Uma vez que os avós deles ( meus tios avós) também estão aqui, por uma quantidade de tempo inclusive bem maior devido ao tratamento de leucemia, minha casa nesse fim de ano se tornou periodicamente um antro de reuniões com muita comida, muitas lembranças, algumas redescobertas.
Casa de vó + os tios avós mais adoráveis do mundo + primos do nordeste + todo mundo que quer ver os primos = hora de ser da família.
Aconteceu assim: no meio dessa chuva interminável, era uma reunião com muito café, leite, chocolate quente e pão de queijo caseiro. Eu coloquei na mesa ketchup e requeijao, porque eu achei que combinava. Todo mundo ao redor da mesa conversando sobre "quando os meninos eram pequenos" e ás vezes eram tantos meninos, de gerações tão diferentes, que já não se sabia mais sobre o que se falava. Todo mundo ria sorrisos nostálgicos, nem de verdade , nem de mentira. Os velhos têm esse talento de misturar os fatos de um jeito que tudo pareça bonitinho, porque afinal, a vida é uma só e não importa o que mistura, a verdade passa ser a história que se conta, quando se trata de lembranças. Era bonitinho mesmo, e além do mais, a gente estava sendo "todo mundo junto de novo".
E eu fui olhando como é que é esse "todo mundo".Foi aí que eu reparei nos olhos da minha vó. Puta merda, eu devo nunca ter olhado pra eles de verdade antes porque eu descobri alí uma coisa que eu nunca tinha visto, realmente nova. Nova, linda, tão linda que me assustou. Minha avó tem os olhos apertadiiinhos, que com a idade estão cada vez mais nipônicos. Eu fui ao delírio. Como que eu nunca tinha reparado? Eles são apertadinhos, fundos, calmos, doces e bravos. No momento, sobretudo felizes. Aí eu não aguentei e meu olho encheu d'água ( como ele enche agora de novo e vai encher toda vez que eu lembrar disso), e eu chorei muito por dentro. Por fora menos, por que eu tive vergonha de não saber explicar. Mas acho que foi a coisa mais bonita e mais forte que eu já vi. De longe, depois de tanto tempo olhando sem ver. Os olhinhos de Dona Iolanda, minha vó.

2 comentários:

Ethel disse...

Beiba! Ta aí! Vem daí sua paixão pelos orientais! :)

Chico disse...

gosto pacas dessas reuniãos de família de final de ano. Podia rolar mais vezes...