sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

21, no sábado

Volta das férias, volta à loucura. Os dentes apertam, os ombros doem , o sono acabou.
Volto ao acunpunturista. Àquela pessoa freak da medicina alternativa que é o único que atende por convênio em um tempo hábil. Mas atende a 159874982 pessoas no mesmo horário. Consultório lotado, secretária que quando não está mal humorada não está, e ele andando desorientado, meio que mexendo as mãos por um tique nervoso. Eu sempre espero muito para ser atendida.
"Oi tudo bom?.......é a primeira vez ?" "..Não?! ... Eu vim semana passada..." " Ah, é...Você é a...a..." "Tamira" "ah, Tamira.. Espera um minutinho viu Tamira, já vou te atender."
E eu espero uns 20 minutos, no mínimo. Ás vezes, eu tenho que entrar numa sala com outra pessoa. Às vezes a pessoa ronca.. É sempre uma caixinha de surpresas essa acunpuntura .

Dessa vez eu entrei na salinha de 2 camas com um cara. Tranquilo, nem olhou pra minha cara.
O acunpunturista me perguntou as coisas de sempre, eu tive que repetir a história de onde eu trabalho, de novo. Dessa vez minha imunidade caiu muito, eu estava com muitas dores, e ele não espetou agulhas mas apertou os pontos com uma coisa que lembra uma batuta de maestro misturada com um termômetro. Eu tive medo de perguntar o que era, não sei se eu quero mesmo saber.
Então ele consultou o cara do meu lado, e deixou a gente lá, com a musiquinha zen. Achei nuito bom não ser Enia, de novo. O cara não roncou - inclusive quase nem respirava, incrível!- mas eu não consegui relaxar, de verdade. O corpo, realmente tinha descontraído um pouco, mas a cabeça continuava rodopiando, pirando. Eu estava doida pra acabar logo. Tinha passado um tempo acima do normal e eu percebi que o médico tinha nos esquecido na salinha.
De repente, no auge da aflição, comecei a viajar que se eu me concentrasse muito, alcançaria de alguma forma a consciência do médico. Se eu chamasse muito, mentalmente, quem sabe ele sente e volta, OU MELHOR, quem sabe eu não conseguiria escutar o que aquela mente louca anda pensando? Passei um bom tempo tentando achar um universo que caberia na cabeça do Acunpunturista freak, mas eu realmente não cheguei perto da idéia do limite dos pensamentos de um cara como aquele.

Aí eu percebi o quanto eu estava sendo estranha. E criança.

O médico finalmente chegou. Eu me levantei e ao fazer minha ficha perguntou, de novo: "Quantos anos?" E eu respondi "Faço 21 no sábado!" E quando eu penso que ele já tinha me surpreendido o bastante, disse: "ah, é aquariana, que beleza! é um signo muito bom. Signo do ar, das grandes mudanças. Urano que é o regente.. Você sabe que Urano gira assim né (fazendo círculos com as mãos na horizontal), quiném um barril. Esse signo é todo ao contrário!"

Saí de lá amando o médico. Amando a acunpuntura. Amando ser de aquário.
Meu Deus, como eu sou fácil.

1 comentários:

Ethel disse...

que DELÍCIA de história!
ri até!